Noites

21.4.17


Essa noite por acaso não está fria. É agradável estar na rua. É simpático ver as luzes a iluminarem a cidade. Provavelmente por isso há gente por todo o lado. Não as vejo a todas. Mas ouço cada indivíduo. Conversas risadas. Discussões gritadas. Promessas entusiasmadas. Fazem-se presentes. Tornam-me ausente. De toda essa vida partilhada a portas escancaradas. Das histórias contadas em entrelinhas expostas. De boleias oferecidas em caminhos cruzados. De banalidades comuns a extremos. Dos segredos que perderam efeito. Dessa transparente necessidade do outro. Dessa imensa vontade de ser o outro. O que acena. Concorda. Ouve. Observa. Julga. Sem se colocar a jogo. Sem intenções de que lhe retribuam o favor. Sem entregar o martelo da sua vida. Não quero ser a mulher cuja postura está a ser avaliada a entrada da estação de metro. Não tenho o desejo de me sentir o produto de uma qualquer classificação. Quero a liberdade de apenas me permitir existir. Sem preocupações. Nem pretensões. E nessa noite de agradável clima sou apenas isso. Sou só liberdade. 

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