Luzes

3.3.17



Há luzes por todo o lado. Mas trevas cá dentro. Toca uma música ensurdecedora para todos nós. Mas faz um silêncio aterrador dentro de mim. Sei que não estou sozinha. Afinal isso é uma noitada com amigos. Mas o meu universo é solitário. É tudo escuro e som algum se propaga. Não tenho como sair daqui. Acreditem que já tentei. Incontáveis vezes que falharam. Planos e mais planos incompetentes. Resultados frustrados. E frustrantes.

Embora queira sair daqui, há um conforto que me impede. Uma sensação de sucesso. Um qualquer consolo existencial. O prazer de saber que algo me pertence. Nem que seja um lugar sem definição. Um sítio tão único que foge a qualquer possibilidade de catalogação. É bom saber que ele é meu. E apenas eu posso acedê-lo. 

A minha mente vive em constante conflito. Quero sair dessa casca e permitir-me ser mais. Para mim e para todo o mundo. Mas não consigo. Porque essa é a minha zona de conforto. E apesar de reconhecer que elas não nos deixam crescer, eu gosto de cá estar. Gosto da ideia de estar em território já explorado. Nunca aspirei ser astronauta. Não ando a procura de vestígios. Vivo bem em trilhos com pegadas. Estou segura no silêncio da música que grita apenas fora de mim. Estou bem no interior escuro do exterior iluminado. 

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