Choros

12.12.15




Em uma roda de conversa sem futuro veio a baila o assunto choro. E sem pensarem, os meus amigos acusaram-me de nunca derramar lágrimas. O que, obviamente, não faz sentido algum. Mas eles pareciam não se lembrar que chorei de coisas clichés como o Up da Pixar, desesperei-me com a dor de Sam Smith num concerto chuvoso a até tive a audácia de chorar num filme de terror quando o espírito maligno foi derrotado. Em todos esses momentos desfiz-me em líquido corporal largado pelos olhos por dores e alegrias que não eram minhas. Experimentei um nível elevadíssimo de compaixão e deixei que o mesmo me rasgasse. Apesar desses momentos e inúmeros outros semelhantes apenas uma vez na vida chorei de verdade. Não aquele choro molhado de lágrimas, mas o choro banhado de sangue. Aquele que vem da alma e quase explode o corpo para dizer adeus. Em apenas uma ocasião senti-me destruída por todos os lados e achei que o solo não apareceria. Perdi a fala encolhida num canto da casa, a espera que passasse. Com a esperança como única companheira. Mas esses choros não se partilham. Então apenas falei-lhes sobre como o Sam Smith misturou lágrimas àquela chuva no meu rosto.

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