Frio

29.7.15

 

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Hoje teremos 32 graus Celsius. Só euforia cá em casa. Parece que acabaram de descobrir que o Apocalipse foi cancelado. Infindáveis planos para a praia. Promessas de bronzes invejáveis. Morte aos casacos e cachecóis. Enfim, a emoção instalou-se. Menos em mim. Sempre fui a única que gostou do frio. Encanta-me a ideia de ser seduzida pelo calor de uma manta. Ou aquecedor. Talvez um chocolate quente. E provavelmente um abraço. E, convenhamos, as pessoas vestem-se muito melhor no frio. Até as que preferem o calor.

Mas não é pela roupa nem pela sedução que prefiro o frio. É pelas lembranças. O frio é o meu baú de memórias. Detentor das minhas alegrias e tristezas. O meu maior confidente. E é no frio que melhor me sinto. Estou em melhor forma. Em sintonia com o Cosmos. Perfeita. Ou quase.

Lembro-me de ter perdido o meu primeiro dente no frio. A primeira memória que tenho da terra da avó é de um dia frio. O meu primeiro chocolate foi quente num dia de muito de frio. O meu cobertor da Minnie que tenho até hoje recebi num dia frio de aniversário. O meu primeiro beijo. O meu ex-namorado. A minha melhor viagem. Os meus abraços mais importantes. E as minhas mais dolorosas despedidas. Tudo coisas e dias frios. Tudo eu.

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