Dá-me o Mundo

28.4.14


- Já sei o que te oferecer no Natal.
- Sério? O quê?
- É surpresa amor.
- Ah, mas eu não gosto de surpresas. 
- Mas eu gosto.
- Mas é para mim e assim não quero.
- Ok, chantagista. Eu quero te dar o mundo.
- O mundo? Porquê?
- Porque é imenso, diverso e intenso. E tu mereces isso e muito mais. 
- Ah, mas eu não quero o mundo. 
- Não?
- Claro que não. 
- Então diz-me o que queres.
- Sei lá. Dá-me café com leite e pão de queijo. O barulho da chuva. Duas ondas do mar. Um mergulho no rio mais próximo. Mais cores que o arco-íris. Todos os sorrisos de Dezembro. Dá-me um sopro no ouvido. Um beijo na barriga. Mordidas no pescoço. Cafunés de madrugada. Palavras sinceras. Músicas lamechas. Princípios de poemas. O mais puro dos amores. Dá-me o dia em que nos conhecemos. O instante em que nos apaixonamos. A hora do nosso primeiro beijo. As vezes que fomos ao cinema. As cartas que não trocamos. Os dias de saudades. Dá-me um abraço apertado. Um olhar interessado. A honra da tua presença. A falta de promessas. A incerteza do destino. A felicidade no teu rosto. Dá-me motivos para viver. E vidas para oferecer.
- E como é que eu faço isso? 
- Não sei. Mas como é que me ias dar o mundo?
- Ia te levar a viajar sem destino.
- Ah, então dá-me o mundo. E enquanto isso, vai me dando tudo o resto.

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