Esse Lugar

12.9.13

E porque sou sonhadora, tenho várias vidas. Crio pessoas e mundos todos os dias. Imagino e invento a toda hora. Tenho milhões de filhos, que muito bem disse Khalil Gibran “são filhos e filhas da ânsia da vida por si mesma”. São personagens que viram pessoas. Esquecem-se de mim e vão viver as suas vidas. Percorrem o seu próprio mundo. Um mundo ao qual não fui convidada. Mas ao contrário do que Khalil disse, eu tenho acesso pelos meus sonhos.


Imagino-o imperfeito. Como o nosso. Mas diferente. Talvez mais feliz. Sem crises ou guerras. Mas com fome e mortes. Com pessoas parecidas a nós. Que cometem erros e culpam outrem. Que contam piadas sem graça. Que roem as unhas. Que usam óculos. Mas não falam mal umas das outras. Não cozinham com especiarias indianas. Não se matam. E nem usam havaianas.



Um lugar onde Charles Chaplin está vivo para recordar à todos que a “a vida é um palco…”. Onde ninguém tem talentos especiais porque eles nascem com todos. Aliás, onde o especial não existe. Muito menos o diferente. Um lugar onde a monotonia não é a vilã. Porque não existem vilões. Existem, pois, pessoas más. Mas isso aqui também há.



Penso num lugar que não é o nosso. É outro. Distinto desse, mas seu irmão. Porque os lugares, no fundo, são como as pessoas. Ou as reflectem por serem feitos por elas. As pessoas não são uma só, mas têm todas a mesma base. Por isso é que eu penso nesse lugar. E embora não o conheça, sei que existe. Porque eu o criei.


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