Mentira

14.8.13

Já dizia a minha mãe que o meu maior problema é a ingenuidade. Tenho uma extraordinária vocação para acreditar em tudo. Dizem-me os amigos que sou boela. Deixo-me sempre levar. E diz a minha mente que a desconfiança não passa de uma fonte de stress. Antes achava que só a minha mente tinha razão. Agora parece-me óbvio que a têm todos. Tive essa certeza depois do que me foi feito.
Primeiro convencera-me com uma mentira, ou engano. Talvez fosse precipitação provocada por emoção. Sei lá o que foi aquilo. Só sei que não foi correcto o que eles fizeram. E agora descubro que o primeiro "sei lá" é filho de outro. Nem sei qual dos dois é pior.

Se eu tivesse sido a única vítima nem importava tanto. Mas eles levaram todo o mundo a crer que era verdade. Bem, o mundo todo não foi, porque o meu pai ainda chamou-me maluca. Mas quando passa de dez já são muitos.


Fizeram uma campanha a favor do pânico. Profetizaram inverdades. Alarmaram mentes e abalaram corações. Afirmaram o que não sabiam. E confirmaram com o que também desconheciam. Apresentaram provas que já vinham com um guião. Jogaram a carta do "contra factos não há argumentos". Desesperaram meio mundo e arredores. E afinal não era o fim. O tal do Fim do Mundo não passou de uma brincadeira de mau gosto. E deu à luz a minha desconfiança. 



Foi afirmado por historiadores, grupos religiosos e pessoas com queda para acreditar em (quase) tudo que o mundo terminaria no dia 21 de Dezembro de 2012. Mas cá estamos para provar o contrário. Ou se calhar acabou e, do jeito que isso vai, estamos no inferno. A base para essa afirmação foi o Calendário Maia. Só que o calendário afinal é Asteca e foi muito mal interpretado. Antes desse Fim do Mundo com data e hora marcada, já havia sido anunciado outro em 2000. Mais uma vez (obviamente) sem sucesso.

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