Amor Ordinário

14.8.13

Ela estava magoada. Saiu e bateu a porta. De novo. Pela segunda vez naquela semana. Depois da quarta discussão do mês. Sempre pelo mesmo motivo. Traição. Foi a vez dele. A anterior tinha sido dela.

Não eram assim. Amavam-se como poucos nesse planeta. Aceitavam-se até a um limite inexistente. Ela era perfeitamente ciumenta. Ele era divinamente controlador. Era amor, diziam eles. Paixão também.


Perderam o controlo. Já não ficavam juntos por gosto. Encontravam-se para garantir que o outro não estava com outra pessoa. O amor virou investigação. Transformaram-se em detectives. Ela conhecia os 438 amigos dele do Facebook, até os que ele desconhecia. Ele sabia a rotina dela melhor que a própria. Começaram as traições. E seguiram-se as discussões.


Tentaram dar a volta. Regressar ao amor. Ou ao menos à paixão. Mas os ciúmes dela já incomodavam. O controlo dele era irritante. O amor, de investigação passou à campo de batalha. Faziam-se mal. E sabiam-no.


Ele está a porta da casa dela. Percebe que a magoou. Mais uma vez. Sabe que não o devia ter feito. Está realmente arrependido. Nem se consegue ver ao espelho. Está disposto a mudar. Ou a tentar. Quer que ela faça o mesmo. Ela diz que sim. Ele abraça-a. Choram os dois. Compreendem que não são perfeitos. São pessoas ordinárias. Entendem que vão falhar outras vezes. E, nesse instante, voltam ao amor.



Música Preferida (para os propósitos desse desafio): Ordinary People de John Legend

 

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