A Insónia da Rita

15.8.13

Já eram três da manhã, e a Rita ainda não tinha conseguido pregar o olho. Já se tinha tornado um hábito. Nos últimos cinco meses, tinha dormido cerca de vinte e quatro horas por semana. Todo o mundo a achava mais cansada e com menos energia. Mas ninguém sabia o real motivo dessa insónia.

Na primeira noite, ela foi-se deitar cedo. Estava cansada do funeral da amiga de infância Marta. Chegou à casa e foi para à cama depois de tomar um banho. Estavam em casa os seus pais e os dois irmãos. Quando ia adormecer, começou a ouvir gritos de terror. O estranho que as pessoas que gritavam, pareciam estar no seu quarto. Levantou-se, acendeu a luz e os gritos pararam. Pensou que tivesse sido um sonho ou fosse coisa do cansaço e voltou a deitar. Assim que fechou os olhos, começou a ouvir passos de corrida no seu quarto. Desta vez levantou-se e foi para à sala, mas já lá não havia ninguém. Foi para a cozinha à procura da mãe, mas só viu um vulto a sair para o quintal. Quando chegou a parte de fora, não havia nada nem ninguém. Voltou para o quarto e não dormiu a noite toda. Sempre que fechasse os olhos, os barulhos voltavam. Na manhã seguinte quando se levantou, viu uma mulher na sua janela que a pediu para não contar nada à ninguém. Saiu do quarto decidida a contar tudo à sua família. Antes que o pudesse fazer, a sua mãe cortou-se o pulso esquerdo com a faca e teve de ser socorrida. Naquela noite, decidiu que ia falar com a família sobre a noite anterior, mas quando o ia fazer o seu irmão mais velho caiu no banheiro e abriu a cabeça. Tiveram de ir rapidamente para o hospital. Depois disso, Rita convenceu-se que o melhor era não dizer mesmo nada.

Os dias e a noites foram passando e a Rita sobrevivia de cochilos no serviço e na sala, quando não estivesse sozinha. No segundo mês, a mulher que tinha aparecido a sua janela, ressurgiu. Dessa vez, viu claramente que era a sua amiga Marta. Pediu que ela libertasse a sua alma, matando um dos membros da sua família. Rita negou o favor e a Marta declarou que a assombraria até que o fizesse. Rita sabia que não podia sequer pensar em contar à alguém, mas  não faria o que lhe fora pedido. Então, deste aquela data, Rita abriu mão do seu descanso nocturno para proteger a sua família. E Marta a assombrou todas as noites.

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