O Passado Que Não Passou

4.3.12


Tudo tem uma história. Tudo tem uma memória. Os quilómetros de um carro, os riscos de uma mesa, as cicatrizes de uma pessoa. Cicatrizes físicas e psicológicas. Tragédias das quais não falamos. Comédias que contamos a cada oportunidade. Partes de nós que pertencem ao passado, mas nem sempre lá ficam. Arrependimentos.

Deixamos coisas pela metade julgando ser o seu fim.Guardamos o assunto numa folha de mica. Pomos a folha de mica numa caixa de madeira. Envolvemos a caixa de madeira com um saco plástico. Amarramos o saco plástico com uma corda. Prendemos a corda a uma pedra pesada e sem tamanho. Atiramos ao fundo do mar. Julgamos nunca mais ter que lidar com o que está dentro da folha de mica. Mas o nunca é antónimo do sempre, e o sempre não existe.

Um dia um mergulhador encontra o nosso embrulho. Abre-o e revela o nosso passado que não passou.

Não é nada fácil nem animador lidar com esse fantasma. É chato e dói. Revivemos coisas que magoam. Voltamos àquele meio que não estávamos preparados para ser o fim. Descobrimos que ainda não estamos preparados. Mas dessa vez não vamos atirá-lo ao fundo o mar. Já sabemos que isso não funciona. Há que enfrentá-lo. Bater o pé no chão e dizer que ele não tem o direito de nos assustar. E que já devia estar morto.

Muitas vezes deixamos coisas por dizer e fazer. As vezes sem nos apercebermos e outras por falta de coragem. Mas fugir nunca foi a solução. Tal como resolver não resulta sempre. Então o que fazer? Sei lá. Não há fórmula para isso. Mas toda e qualquer frase que tenha as palavras nunca e sempre, para mim, é pura fantasia.

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