Os Verdadeiros Sábios

2.7.11


Trabalhei numa creche por um dia. Estou oficialmente traumatizada! Só eram cinco crianças para umas seis ou sete adultas (infelizmente, o meu grupo era esse), mas pareciam um exército (as crianças) contra uma turma de secundária (as tais adultas). Fiquei muito cansada, meio partida e algo traumatizada. Mas apesar de tudo isso, mudei de ideias.
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As crianças nunca foram o meu forte (nem o meu fraco). Para mim eram só outros seres mais no mundo, algo como as palmeiras e os hipopótamos. Mas era-me difícil a relação com elas. Parece que nenhuma ia com a minha cara (ou qualquer outra parte do corpo). Eu não sou dotada de paciência e isso também complicava. Mas o problema é que eu não gostava de mim mesma. Ok, passo a explicar: eu não acho (porque penso que até hoje) muito piada  ao tipo de criança que eu fui. Do tipo definido e classificado como Traquinas. Do tipo que não senta muito para os desenhos animados, tem uma adoração por brincadeiras agressivas e/ou perigosas e, principalmente, acha que já é crescida o suficiente para metade das coisas para as quais nem a metade da idade permitida tem. Enfim, do tipo que deixa qualquer mãe, tia da creche ou ama, a falar mal da vida por muito tempo.

A experiência hoje foi interessante. Como já disse, mudei de ideias. Antes as crianças eram para mim horríveis pequenos seres cuja única vocação é perturbar a vida de gente mais crescida. Agora são interessantes pequenos seres, cuja única vocação é ser elas mesmas. Tanto que temos que aprender com elas. Tanto que elas nos ensinam a cada segundo de existência. E nós, os tais dos mais crescidos, negamo-nos a aprender. Recusamos os ensinamentos dos mais sábios seres à face terrestre. Isso tudo porque conhecemos, mesmo os que não o tenham desenvolvido, um insuportável sentimento que atende pelo nome de Orgulho.
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De que nos valem os sentimentos, as emoções, os pensamentos e todas essas razões, quando não as vivemos? Quando não as realmente compreendemos? Digo-vos eu, que não valem absolutamente nada! Nem uma nota furada. Nem sequer uma borracha gasta. Muito menos uma folha rasgada. N-A-D-A: Nada!

Para além de aprender isso, noite que tenho cada vez mais saudades dos meus tempos de criança. Saudades dos famosos bons velhos tempos. Quando viver era apenas mais um verbo por conjugar. Quando eu não sabia o que era verdadeiramente crescer. esse processo que causa horríveis feridas e deixa irreparáveis sequelas. Quando eu tinha a inocência e, mais importante, a sabedoria de uma criança. 

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