E fiquei Sem Voz

6.7.11

O último Domingo, 3 de Julho de 2011, foi cheio de adjectivos. Isso tudo porque saí de casa para assistir o Festival Unitel 10 Anos. Lá fomos eu, o Chua , o Kirú e a Elba para uma aventura que prometia logo a partida ser divertida.

Começamos bem (ou quase isso), o famoso e habitual atraso a entrada de um espetáculo em Angola. Ficamos em uma fila sem lógica porque ao que parece (segundo a polícia), “os cantores americanos não quiseram ensaiar na nossa presença” (e quando entramos, lá estava a Lil Kim, a ensaiar!!). Enfim, entre as conversas do costume e a espera absurda, lá fomos entrando aos bocados, como num bom engarrfamento do Rocha Pinto. Já lá dentro ficamos uma data de tempo a espera porque (só mesmo para variar) aquilo estava atrasado. Mas o pessoal continuou com as conversas da chacha, uns foram já caminhando para a bebedeira e houve até quem ensaiasse uns toques ao som dos bons sons que ia pondo o Dj Djeff. Ao fim de cerca de uma hora a levar com o pobre coitado do Dj, o pessoal fartou-se e gritou a plenos pulmões “Olha a hora!!!”. A esse ponto já nem o Djeff sabia o que tocar e começou a bizar as quetas.

Lá para as 19 horas, vimos o usado e abusado Dj a bazar do palco e a dar lugar a abertura do Festival com Os Lambas. “Comboio”,  “Mamadi” e outros sucessos que eu desconheço, foram cantados em coro impressionantemente. Sinceramente, eu não sabia que eles eram tudo aquilo e que tivessem aquele enorme número de fãs e/ou seguidores. Logo ao princípio o Na Grelha disse “Eu sou o símbolo desse país” (ao que perece é o “lema de abertura” dele), frase essa que me parece um exagero, mas depois de ouvir toda aquela gente a cantar o que para mim é um imperceptível idioma, acho que ele está lá perto.

Aí, já sabiamos que tinha começado o espetáculo. O palco continuou a ser invadido por bons cantores e o recinto por boa música. O Cage One arrancou coros musicais, gritos desesperados e lágrimas sucessivas. Parecia que as moças, raparigas e, até, miúdas mais pequenas sabiam cantar cada verso de “Meu tipo de Rapper”, “Tu és a única mulher”, “Coisa mais gira” e “Lean Back”. E houve quem (três raparigas sentadas ao meu lado), durante o “intervalo”, cantasse as músicas pela númera da mesma no álbum.

A Yola Araújo levantou o pessoal (apesar de estar muita gente já em pé) com “Quadradinha” e “Sjam Paixona”. Mas a onda de gritos começou com a entrada de Ady Cudz ao palco para cantarem “Coisa doida”. O que mais me chamou a atenção foi que, depois de algum tempo (conforme me foi informado), ela voltou a cantar “Tira o pé”.

Barulho foi o que os irmãos Walter e Nicol Ananaz fizeram e causaram. Todos os “Mboias” foram poucos para a “Bomba” que explodiu enquanto eles estiveram em palco. E para acabar com os abusos todos, o Walter chamou o seu amigo dos O2, Bigú Ferreira, para nos lembrarem dos bons velhos tempos com “Me desculpa”.

Depois do pessoal já estar bem quentinho e preparado para mais uma, o clima gelou com a entrada de Danny L. O motivo era simples: ele não se enquadrava no estilo aí imposto. Conclusão: foi mordido pelo “Kissonde” e nem o “Corno manso” lhe salvou. Para o socorrer entrou o Eddy Tussa. Mas em vez de sair com o socorrista e aproveitar os bons ventos que sopravam, Danny L insitiu em mais uma e foi aí que o pessoal sentou-se e protestou.

Big Nelo deu o seu show. Para variar (mais uma vez), cantou o seu conjunto de “Kargas”. E terminou em grande com o tão aplaudido “Filho dança”, acompanhado pelos seus “filhos” que dançaram até já não poder. Se eu pudesse fazer metade daquilo…

A Army Squad foi introduzida por um dos seus integrantes, Sandocan. Logo a seguir entraram os outros e fizeram aquela moldura humana cantar de cabo à rabo “A diferença”, “Hip Hop a morrer” e, claro “Crunk!Go go Army!”.

O grupo mais ouvido do momento, Zona 5, fez um estrago em palco (no bom sentido, claro!!). Não era “Dia do homem”, mas a “Mobília do club” estava toda lá. Cantaram o hit do momento “Levanta o vestido” (não foi o abana, foi mesmo o levanta) e com a ajuda do Paul G cantaram “Sou solteiro”. Os “Magalas” que prourem só outros para invejar!

Como sempre, e cheio de amor para dar, Anselmo Ralph agitou a multidão, principalmente a parte feminina dela. Mal me lembro das músicas que ele cantou, porque mal as ouvi. Eram muitas vozes e muitos gritos. Mas posso dizer que entre “Amor novo” e “Não me toca”, essa última foi o ponto mais alto dele.

Pela milésima vez, Fat Joe esteve cá. Já há quem diga que ele tem visto de trabalho, tal como Johnny Ramos e Nelson Freitas, e por isso tem que vir de tempos em tempos renová-lo e trabalhar, claro!!! Retomando, veio e o pessoal não parecia muito contente de o ver, mas assim que o “Lean back” se fez ouvir, as opiniões mudaram.

Também cá esteve Lil Kim. Já nem eu me lembrava da sua existência. E parece que não era a única. Assim que ela pisou o palco a frase mais ouvida foi “Essa é quem?!” e as respostas não passavam de “Também não sei” e “Pergunta ainda aí”. E quando finalmente chegava a verdadeira resposta “É a Lil Kim”, as reacções não eram as melhores. Muitos sentaram, outros perguntaram “e canta o quê?!” e houve até quem gritasse “Bye bye”. Nem o seu maior hit “Lighters up” foi tão bem recebido.

Quando já ninguém esperava surpresas (mas que surpresa é que se espera? Pareço o Canal Angola que disse “surpresa de última hora”), começam a passar imagens da Ciara e nos apercebemos que não estava ainda na hora do Chris, mas sim dela. Antes mesmo dela entrar, já as pessoas gritavam como loucas. A loucura só piorou durante a actuação dela. O ponto alto foi seguramente, pelo menos para mim, a Ciara a dar “Do Cambuá”. Foi uma mistura de “Do Cambuá” com “Moon walk” que funcionou. Até quem não sabe inglês cantou “Takin’ back my love”, “Like a boy”, “My goodies” e tudo o resto que havia para cantar!

O palco foi limpo (pela trocenta vez) e as luzes apagadas. Uma bateria e uma mesa de som foram montadas. Mas a idiotice de algumas pessoas não as permitiu ver que tudo aquilo não era para ser guardado assim, e foram indo para casa. Ao final de tudo, entra o Chris Brown. Pareceu-me super assustado com a quantidade de gente a gritar o seu nome. Talvez não tivesse noção do quão famoso é pelo mundo, ou pelas nossas bandas. Começou o espetáculo e até pessoas que estavam “cheias de boca”, paralisaram e entrarm em um estado preocupante de choque. Infelizmente mais não posso dizer porque após a terceira música, que foi “Dulces”, fui-me embora. A essa altura já havia passado da meia noite.

Em suma, tenho a dizer que foi um bom espetáculo, mas continuamos com os problemas do costume. O atraso é, na minha óptica, uma falta de respeito por representrar o incumprimento de um compromisso. E se puderem melhorar isso, eu agradeceria muito. Depois temos a selecção dos artistas. Vá, niguém pede que convidem todos os artitas que estejam no topo no momento (até porque entende-se que vos sairia um pouquito caro), mas que tal escolher os que interessam e pronto?! Era desnecessário, nesse concerto, a presença da Lil Kim por já quase ninguém sequer, pelo que pude constatar, lembrar-se dela; o mesmo digo do Fat Joe, que já anda a fartar o pessoal; e também o Danny L, porque não se enquadrava nessa paleta. E por fim as noções de Festival e Concerto. Concerto é um espetáculo com uma só atracção principal, mas com a presença de mais uma ou duas atracções secundárias; essas servem para abrir o concerto, para cantar com a atracção principal ou para preeencher possíveis intervalos ou saídas da atracção principal. Já o Festival é um conjunto de pequenos concertos, distribuídos em dois ou mais dias, dependendo da sua dimensão. Aí sim temos, dependendo dos dias, mais de uma atracção principal. Mas em nenhum dos casos é aconselhável, passar as cinco horas de concerto. Isso porque lá mais para o fim, já não há energia que aguente, nem os nossos cantores preferidos. Cá ficam as sugestões e esperamos melhorias.

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