Perder Michael Jackson

12.2.10

Dos muitos sábios que o mundo teve, tem e terá, um deles é aquele que afirmou que só damos valor ao que perdemos.

Eu não sabia que era tão fã de Michael Jackson até ele morrer. Lembro-me como se agora estivesse a acontecer. Cerca de 5 da amanhã, estava eu a atar os meus lindos ténis Nike, quando o meu irmão entrou no quarto e deu-me a notícia com uma calma aparente. Naquele momento a ficha não tinha caído e continuei a atar os ténis. Fui todo caminho para a escola a ouvir músicas do Rei da Pop porque a estação de rádio resolveu homenageá-lo. A escola estava deserta. Fui para a sala e encontrei a Edna com a cabeça baixada na carteira. Não era típico dela, mas as regras têm excepções. Fui à casa de banho e parece que só naquele instante as palavras do meu irmão faziam sentido. Explodi num choro ritmado com se de uma das canções daquele homem se tratasse. Quando o meu desabafo lacrimejado acabou, voltei para a sala e seguida de mim estava a Márcia. Sentei-me na carteira e vi a razão da Edna ter quebrado a regra. Ela chorava a morte de M.J.. E quando parecia que já tinha passado a minha repentina dor, começou tudo de novo. E a cada palavra dos desabafos da Edna, a cada frase de consolo da Márcia e a cada lágrima que percorria o meu rosto eu apercebia-me que ninguém ia entrar por aquela porta e dizer que era mentira. Ninguém iria dizer que era uma brincadeira de mau gosto. Ninguém iria desmentir porque era verdade. Aos 50 anos, Michael Joseph Jackson tinha morrido.

Passaram 7 meses e só agora escrevi o que senti e se passou a 26 de Junho de 2009 (isso foi no dia a seguir por causa do fuso horário), porque na verdade ainda não tinha acreditado totalmente. Precisei ver a bela actuação de Jennifer Hudson, Carrie Underwood, Celine Dion, Smokey Robinson e Usher, nos Grammys 2010. Mais uma vez realizei o quanto significavam MJ e a sua arte para mim. Realizei que o "Bad" "Jackson Five" ainda tinha muito para nos dar, mas não teve tempo suficiente.

A minha amiga Géssika disse nesse dia que MJ é daquela pessoas que todas as outras tinham que ter o direito de conhecer. Concordei e apercebi-me que para isso ele teria que ser imortal e não o fora. Mas lembrei-me que tal como Elvis Presley e outros brilhantes, apenas o corpo e a pessoa morreram. Ainda temos a história, as obras e a imagem do eterno Rei da Pop. Ele apenas morreu fisicamente. Apenas passou de lenda viva à mito fundamentado.

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