Sensações

29.11.09



Conhecem aquela sensação de estar no meio de um monte de gente e sentir-se só?

Eu vivo com essa sensação. Em casa, na escola e em todos os outros lugares, eu sinto-me assim. Parece que estou fechada dentro de uma caixa e todo o resto do mundo está fora dela. Então, eu fico na caixa e por mais que tente nao consigo comunicar com o exterior. Não consigo comunicar-me com o mundo real. Talvez eu tenha escolhido ficar na caixa sozinha. Talvez alguém já tenha entrado nela, mas eu preferi a solidão e tirei esse alguém de lá.

Toda gente tem uma gaveta só para si. Não me refiro as gavetas dos armários. Refiro-me as gavetas da vida. Refiro-me a aqueles pequenos detalhes que são nossos e só nossos. Pois, eu não tenho uma gaveta como toda gente. Eu tenho uma porta. Raramente, se não nunca mesmo, falo sobre "mim" e sobre a "minha vida". Conto detalhes sem importância e verdades falsificadas. Isso, provavelmente, é resultado de outra sensação que tenho. É resultado da sensação de abandono.

Durante toda a minha ainda jovem vida achei que as pessoas me abandonavam. Os meus irmãos que foram estudar fora de Angola, a minha primeira professora que só o foi por um ano, amigos e colegas que se foram afastando, cães e familiares que faleceram. Na minha cabeça eles me tinham abandonado. Tinham partido por puro egoísmo e nem pensaram no meu sofrimento. E nem pensaram em mim. Com medo que mais alguém me abandonasse e eu voltasse a sofrer, aprendi a guardar mais coisas. Caso alguém me volte a abandonar levará apenas detalhes que não importam. Levará detalhes que não fazem falta. Aprendi também a mostrar a toda gente o meu lado mais duro. Aquele que ninguém magoa. Aprendi a ser outra pessoa. Ou a mesma, mas com uma capa invisível.

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