Personalidade do Mês - Kofi Atta Annan

29.11.09



A personalidade deste mês é um homem que merece ser, e é, respeitado por todo mundo. Dedicou dez anos da sua vida a cuidar do mundo. O seu nome significa nascido numa sexta-feira, o que é completamente verdade. Esse mês trago-vos Kofi Annan.

Kofi Atta Annan nasceu a 8 de Abril de 1938 em Kumasi no Gana. Estudou na Universidade de Ciência e Tecnologia de Kumasi, no Gana, e completou o seu Bacharelato em Economia no Macalester College, em St. Paul, Minnesota (EUA), em 1961. De 1961 a 1962, terminou a sua licenciatura em Economia no Institut universitaire des hautes études internationales, em Genebra. Em 1971-1972, como bolsista da Fundação Sloan no Massachusetts Institute of Technology, obteve um Mestrado em Gestão.

Kofi Annan começou a trabalhar para o sistema das Nações Unidas em 1962, como funcionário de administração e orçamento da Organização Mundial de Saúde em Genebra. Desde então, prestou serviço na Comissão Econômica das Nações Unidas para a África, em Adis Abeba; na Força de Emergência das Nações Unidas (UNEF II) em Ismailia; e no Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, em Genebra. Na Sede da Organização das Nações Unidas em Nova Iorque, ocupou os cargos de Subsecretário-Geral para a Gestão dos Recursos Humanos e Coordenador para as Medidas de Segurança do Sistema das Nações Unidas (1987-1990) e, posteriormente, de Subsecretário-Geral para Planeamento de Programas, Orçamento e Finanças e de Controlador (1990-1992).

Em 1990, no continuidade da invasão do Kuweit pelo Iraque, Kofi Annan foi encarregado pelo Secretário-Geral de facilitar o repatriamento de mais de 900 funcionários internacionais e a libertação de reféns ocidentais no Iraque. Em seguida, dirigiu a primeira equipe das Nações Unidas encarregada de negociar com o Iraque a venda de petróleo destinada a financiar compras no âmbito da ajuda humanitária.

Antes de ser nomeado Secretário-Geral, Kofi Annan ocupou igualmente os cargos de Subsecretário-Geral para as Operações de Manutenção da Paz (Março de 1992 – Fevereiro de 1993) e, mais tarde, de Secretário-Geral Adjunto para as Operações de Manutenção da Paz (Março de 1993 – Dezembro de 1996). Durante o período em que desempenhou as funções de Secretário-Geral Adjunto, as operações de manutenção da paz das Nações Unidas conheceram uma expansão sem precedentes; em 1995, atingiram um recorde com cerca de 70.000 militares e civis, em 77 países.

De Novembro de 1995 a Março de 1996, depois de o Acordo de Dayton ter posto fim à guerra na Bósnia e Herzegovina, Kofi Annan ocupou o cargo de Representante Especial do Secretário-Geral para a ex-Jugoslávia e supervisionou a transição da Força de Protecção das Nações Unidas (UNPROFOR) para a Força Multinacional de Implementação (IFOR), dirigida pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

A primeira grande iniciativa de Kofi Annan como Secretário-Geral foi o seu programa de reforma, intitulado "Renovar as Nações Unidas", que foi apresentado aos Estados Membros, em Julho de 1997. Este programa, que continua a ser aplicado ainda hoje, põe a tônica numa maior coerência e numa melhor coordenação no funcionamento das Nações Unidas. O relatório intitulado "As Causas dos Conflitos e a Promoção de uma Paz Duradoura e de um Desenvolvimento Sustentável na África", apresentado ao Conselho de Segurança em Abril de 1998, inscreveu-se no quadro dos esforços feitos por Kofi Annan para reforçar o compromisso da comunidade internacional para com a África, uma das regiões mais desfavorecidas do mundo.

Kofi Annan usou os seus bons ofícios, em diversas situações, para tentar resolver crises políticas, notadamente para convencer o Iraque a cumprir as resoluções do Conselho de Segurança; para facilitar a transição para um regime civil na Nigéria; e para encontrar uma solução para as diferenças entre a Líbia e o Conselho de Segurança relacionado com o atentado perpetrado em Lockerbie, em 1988. Desenvolveu ainda esforços diplomáticos, em 1999, para forjar uma resposta internacional à violência no Timor Leste; desenvolveu também esforços para certificar a retirada de Israel do Líbano, em Setembro de 2000 e, mais tarde, na seqüência da nova explosão de violência de Setembro de 2000, para incentivar os Israelitas e os Palestinos a resolverem as suas diferenças por meio de negociações pacíficas, com base nas Resoluções 242 e 338 do Conselho de Segurança e no princípio de "terra em troca de paz".

Procurou, igualmente, melhorar a condição das mulheres no Secretariado e fortalecer os laços com a sociedade civil, o setor privado e outras entidades cujas atividades completam as do sistema das Nações Unidas. Em particular, apelou a um "Pacto Global" que envolvesse os líderes da comunidade empresarial bem como organizações laborais e da sociedade civil, tendo em vista permitir que todas as pessoas do mundo partilhem os benefícios da globalização e enraizar no mercado global os valores e práticas que são fundamentais para satisfazer as necessidades socio-econômicas.

Em Abril de 2000, publicou um Relatório do Milênio, intitulado "Nós, os Povos: O Papel das Nações Unidas no Século XXI", em que exorta os Estados Membros a renovarem o seu compromisso em relação a um plano de ação destinado a acabar com a pobreza e a desigualdade, a melhorar a educação, a reduzir o HIV/AIDS (VIH/SIDA), a salvaguardar o ambiente e a proteger as pessoas de conflitos letais e da violência. O Relatório constituiu a base da Declaração do Milênio, aprovada por Chefes de Estado e de Governo na Cúpula do Milênio, que se realizou em Setembro de 2000, na Sede da ONU.

Em Abril de 2001, o Secretário-Geral divulgou um "Apelo à Ação", com cinco pontos, tendo em vista vencer a epidemia do HIV/AIDS (VIH/SIDA) – que classificou de "prioridade pessoal" – e propôs a criação de um Fundo Mundial para a AIDS (SIDA) e a Saúde, que deverá ser o mecanismo a ser utilizado para alguns dos gastos adicionais necessários para ajudar os países em desenvolvimento a enfrentarem a crise.

A 10 de Dezembro de 2001, o Secretário-Geral e as Nações Unidas receberam o Prêmio Nobel da Paz. Ao conceder-lhe o Prêmio, o Comitê Nobel disse que Kofi Annan "se distinguiu por dar uma nova vida à Organização". Ao conceder o Prêmio à Organização mundial, o Comitê disse querer "proclamar que a única via para a paz e a cooperação mundiais são as negociações através das Nações Unidas".

Como funcionário da ONU, Kofi Annan viajou para todos os continentes, sempre defendendo a paz. Nos conflitos internacionais, a sua postura sempre foi a mesma: a busca do diálogo. Kofi Annan também condenou a invasão dos Estados Unidos ao Iraque, ação que derrubou o ex-presidente Saddan Hussein e deixou milhares de mortos de ambos os lados. Apesar de criticar duramente a postura do presidente George W. Bush, o político africano não conseguiu evitar a guerra entre os americanos e os iraquianos.

Kofi Annan fala fluentemente inglês, francês e diversas línguas africanas. É casado com Nane Annan, cidadã sueca, jurista e que também se dedica às artes. Nane Annan tem estado profundamente empenhada em acompanhar o trabalho das Nações Unidas, em campo. O HIV/AIDS (VIH/SIDA) e a educação das mulheres são duas áreas às quais tem dedicado particular atenção. Também escreveu um livro para crianças sobre as Nações Unidas. Kofi e Nane Annan têm três filhos.

Kofi Annan é um homem como poucos. É um homem raro. É um homem único. Mas acima de tudo isso, Kofi Annan é um Homem.

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