As minhas crónicas

16.9.08

Depois de muitoooooooooooooooo tempo, voltei! A partir de agora vou começar a explorar o meu lado mais criativo e conto com a vossa ajuda. Vou tentar publicar de 15 em 15 dias, uma crónica. Digo tentar porque estou a começar e pode faltar inspiração. Ahh, tenho dois blogs, por isso se não estiver nesse, tentem o outro (yokustupidlife.blogspot; ou entrem nesse e terão acesso ao outro também). Quero ler críticas vossas, boas ou más, para que possa melhorar como escritora. A primeira eu ponho já mesmo hoje. Obrigada por gastares o teu tão precioso tempo a ler isso tudo. Aqui vai a primeira crónica...


Quem diria? 

Quem diria que naquela tarde ensolarada e quente de domingo, tu surgirias do nada para me pedir desculpas? Tu?! Logo tu que sempre puseste o orgulho de homem acima de tudo e todos. Até parece um exemplo de ironia, como aqueles que nos dão na escola.
Chegaste no teu carro desportivo vermelho, com uma cara de criança que recebeu um sermão. Vestias as calças que te dei no teu aniversário, o pólo que te ofertei no Natal e calçavas os teus ténis que eu mais gostava. Aproximaste-te de mim, mas não falaste, durante muito tempo. Quando decidiste que era o momento certo, apenas disseste o que eu queria ouvir, “Desculpa, eu sei que a culpa foi toda minha. Por isso peço-te desculpas.”. Achei aquilo engraçado, mas não reagi. Esperei que fosses tu a resolver tudo daquela vez. Foi então que foste para o carro a correr, e pensei que achavas que não te perdoaria. Mas voltaste com uma linda caixa preta com um laço dourado e deste-ma. Foi a primeira vez que reagi, abri a caixa. Não havia apenas um lindo anel, mas também brincos, pulseira, relógio e colar a condizer. E chegou o momento mágico, quando disseste “Pela primeira vez depois de muito tempo, pensei que te ia mesmo perder para sempre. E vi que não podia deixar isso acontecer, porque não temos sentido e destino um sem o outro. Casa-te comigo, por favor.” Foi naquele momento que me surpreendeste mais uma vez, ao mostrar um lado romântico que em quatro anos nunca conheci. Não me restava outra opção, apenas aceitar. E aceitei com um sorriso. Entendeste logo e deste- -me um beijo profundo e apaixonado.
Fomos muito felizes durante os quarenta e três anos que se seguiram. Tivemos filhos, netos e bisnetos. Discutimos, choramos, reconciliamos e rimos. Hoje, aqui e agora, vou me despedir de ti para sempre. Não te preocupes, é só fisicamente. Porque a morte pode levar os corpos, mas se os espíritos quiserem eles ficam. E o teu, meu grande amor, fica aqui comigo. Porque tu não me queres ver partir sozinha e esperas-me para partirmos definitivamente os dois.


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